7.1.08

Shutter (Espíritos, A Morte está ao seu Lado)


2004
Suspense, Terror
Direção: Banjong Pisanthanakun e Parkpoom Wongpoom
Roteiro: Sopon Sukdapisit,
Banjong Pisanthanakun e Parkpoom Wongpoom


Não dá para tampar o sol com a peneira. O cinema oriental está cada vez mais encontrando seu espaço. Espíritos chegou (já faz um tempo, claro) com mais um "bum", um estrondo formado pelo côro de fãs.

O fotógrafo Tun (Ananda Everingham) e sua namorada Jane (Natthaweeranuch Thongmee) notam estranhas aparições em suas fotos e resolvem descobrir do que se tratam. Então, uma história que Tun gostaria de esquecer volta à tona e agora ele deve pagar pelos seus erros.

Apesar de existir uma grande parcela de frequentadores do cinema (não direi cinéfilos porque não são o mesmo) que ainda desconfia do sucesso que os asiáticos vêm fazendo. Parte disso é fruto do preconceito e outra parte do gosto pessoal. Espíritos, sendo um representante desse cinema controverso, não ficou fora dos ataques de sempre: filme japonês (há uma tendência de se chamar todos os filmes orientais de japoneses - mas nesse caso trata-se de um filme tailandês) é tudo igual, fantasminha azul, de olho puxado, cabelo no rosto e querendo se vingar.

Tenho que admitir que realmente, grande parte dos roteiros gira em torno disso, mas as tramas são bem diferentes umas das outras. Em Dark Water o a história se foca no drama da mãe que não quer perder a guarda da filha; A Tale of Two Sisters trata de um drama familiar causado pelo relacionamento complicado entre duas irmãs e sua madrasta; em Ju-On: The Grudge o roteiro é construído de uma maneira tão inovadora que a história acaba ficando em segundo plano de importância cenematográfica... Quanto aos fantasminhas azuis com cabelos no rosto, bem isso já é uma questão puramente cultural. Veja os zumbis americanos, quem é que vai me dizer que eles não são todos iguais?? E quem disse que isso significa falta de criatividade? Como eu disse, é uma questão cultural. Nós só não estamos acostumados com essa representação de fantasmas... ainda.

Em se tratando de Espíritos, todos os elementos acima existem, mas de uma maneira um pouco mais diluída. E talvez por isso o filme tenha sido menos afetado pelo preconceito e pelo gosto pessoal do que outros. E entre os fãs do cinema oriental, ele foi muitíssimo bem recebido. Afinal, falo de um filme muito bom. A direção é precisa, os atores são bons, a história é envolvente - eu gosto bastante de histórias que envolvem fotografias estranhas. A ambientação acinzentada ficou ótima e tem cenas de muito suspense, daquels que funcionam mesmo.

Porém, apesar disso tudo, não consigo tê-lo em tão alta conta assim. Eu, particularmente, não achei brilhante. Não há nada de especial na direção ou no roteiro que o fizesse se sobressair como aconteceu. O que eu acredito é que seu sucesso foi apenas resultado de um bom filme tailandês que conseguiu dosar a mão no seu lado oriental. Pois, mesmo dentre os filmes asiáticos (originais), não o considero melhor do que os supracitados A Tale of Two Sisters, Ju-On: The Grudge, Dark Water, ou até mesmo Ringu.

Além disso, o final é interessante, diferente e até surpreendente. Mas dá margem para o ridículo, o que me incomoda um pouco. Não que eu o tenha achado ridículo, mas eu vi muita gente que achou e consigo facilmente entender o motivo.

De qualquer maneira, Espíritos é um filme altamente recomendado para quem ainda não teve a oportunidade de assistí-lo. Inteligente e envolvente, a não ser aos mais fervorosos anti-ásia, duvido que alguém vá se arrepender de ter assistido.

2 comentários:

Marcus Vinícius disse...

Nossa, foi certeira na sua resenha: ele é um filme bom, legal e tal, mas está bem atrás dos grandes nomes do gênero. O final é muito diferente mesmo, quase que adivinhei ele, hehe. Uma boa surpresa do cinema tailândes.

Beijos, até mais.

Thalita disse...

Eu nem suspeitava que o final ia ser aquele... Fiquei até meio chocada. heheheh

Demorei pra decidir se tinha gostado ou não daquele final. Mas decidi que gostei.